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Equipe da Universidade de Osaka, no Japão, restaurou a visão de pacientes com lesões graves na córnea usando células pluripotentes induzidas (iPSCs); resultados foram publicados na revista The LancetOSAKA (JAPÃO) — Pela primeira vez na história, cientistas reverteram quadros de cegueira com o uso de células-tronco. Pesquisadores da Universidade de Osaka trataram duas mulheres e dois homens, com idades entre 39 e 72 anos, que tinham lesões severas na córnea e não conseguiam mais enxergar com clareza O trabalho foi publicado no periódico científico The Lancet
A técnica utiliza as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs) — células adultas reprogramadas para um estado semelhante ao embrionário, inovação que rendeu o Prêmio Nobel de Medicina de 2012 ao japonês Shinya Yamanaka e ao britânico John Gurdon
No estudo, os cientistas modificaram células sanguíneas de um doador saudável para realizar os transplantes, feitos em 2019
Dois anos depois, três dos quatro pacientes apresentaram melhora significativa da acuidade visual, com resultados que se mantiveram por mais de um ano
Os olhos que antes apresentavam aparência leitosa voltaram a ficar brilhantes e transparentes
Um quarto paciente recuperou a visão, mas o efeito não durou
O acompanhamento de dois anos não registrou efeitos colaterais graves: as iPSCs não formaram tumores — um risco conhecido desse tipo de terapia — e não houve rejeição pelo sistema imunológico dos pacientes
Por que não um transplante convencional?
Dentro do globo ocular, a córnea possui um reservatório natural de células-tronco em uma região chamada limbo Doenças genéticas, queimaduras químicas, alergias severas e infecções podem destruir essa região, provocando cicatrizes que comprometem a visão
Em alguns casos, como o desses pacientes no Japão, o transplante convencional tem mau prognóstico", explica o oftalmologista Otávio Magalhães, pesquisador da Unifesp
O próximo passo da equipe japonesa será testar a intervenção em uma amostra maior de voluntários