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Selic a 14% frustra indústria, anima comércio e acende alerta de recessão
Copom confirma quarto corte consecutivo de 0,25 ponto e leva a taxa básica a 14% ao ano; decisão divide o setor produtivo: indústria cobra ritmo mais rápido, varejo celebra alívio no crédito e economistas alertam para risco de recessão em 2027
06/08/2026 16h02
Por: Gerson de Moura Fonte: Uol economia
UOL ECONOMIA
BRASÍLIA — O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (5), levando a Selic a 14% ao ano
. É o quarto corte consecutivo da mesma magnitude, decidido de forma unânime, que acumula queda de 1 ponto percentual desde março
. A decisão, porém, dividiu opiniões: se o alívio no crédito anima o varejo às vésperas das festas de fim de ano, a indústria reclama do ritmo lento, e economistas passam a alertar para o risco de recessão no próximo ano
No comunicado, o Banco Central manteve tom cauteloso e não se comprometeu com novos cortes, afirmando que a magnitude total do ciclo de calibração será definida "à luz de novas informações", visando assegurar a convergência da inflação à meta
O colegiado classificou os riscos inflacionários como "mais elevados que o usual, com assimetria altista", citando possíveis impactos do El Niño, da disparada do petróleo e dos estímulos fiscais à demanda
Indústria fala em "imposto invisível"
A insatisfação ecoou fortemente nas entidades ligadas à produção. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) classificou a taxa como desproporcional à trajetória de queda da inflação e estimou que a Selic ideal estaria na casa dos 10,4% — 3,6 pontos abaixo do nível atual
Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, os juros funcionam hoje como um "imposto invisível" que compromete a renda das famílias
Fiemg e CBIC adotaram tom semelhante: consideraram o corte positivo, mas insuficiente para destravar investimentos, e cobraram maior responsabilidade fiscal do governo
Comércio celebra alívio no crédito
No varejo, a leitura é oposta. Para a CDL/BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte), juros menores fortalecem o consumo e preparam o terreno para datas cruciais como a Black Friday e o Natal
Alerta de recessão e próximos passos
Entre economistas, o sinal amarelo está na outra ponta: Felipe Salto alerta para o risco de recessão no próximo ano, caso a carga elevada de juros se prolongue e se combine com o ajuste fiscal projetado para 2027
O mercado já projeta um PIB mais fraco em 2026 e 2027, segundo o Boletim Focus
 A XP estima que a Selic deve estacionar nos atuais 14% até o fim do ano, enquanto o Santander resume a nova fase do Copom como um avanço "checkpoint by checkpoint"
 Pelas Opções do Copom da B3, o mercado passou a precificar mais um corte na reunião de 15 e 16 de setembro
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